Luiza, 36 anos, encontrou um envelope sobre a mesa da cozinha. Dentro, havia um endereço e uma frase escrita por André, 39: “Hoje, me encontra como se fosse a primeira vez”. Casados havia oito anos, eles tinham combinado reservar uma noite para sair da rotina. O resto seria surpresa.
Ela chegou ao terraço ao anoitecer. André estava perto do balcão, usando a camisa que ela sempre elogiava. Em vez do abraço automático de todos os dias, ele sorriu e se apresentou. Luiza entrou na brincadeira. “Prazer. Tem alguém esperando por você?”
Sentaram-se diante da cidade e fizeram um acordo: por uma hora, nada de trabalho, compras ou planos para o fim de semana. Cada um faria três perguntas cuja resposta ainda não conhecia. Parecia fácil, até precisarem escolher a primeira.
André perguntou onde ela passaria um mês se pudesse ir embora no dia seguinte. Luiza escolheu uma cidade à beira-mar e descreveu uma pequena casa com janelas abertas. Ele nunca a tinha ouvido falar daquele lugar. Ela perguntou o que ele gostaria de aprender. “Piano”, respondeu, quase envergonhado. “Desde criança.”
A conversa foi ficando mais demorada e menos previsível. Entre uma lembrança e outra, perceberam quantas ideias ainda não haviam contado. Não era preciso inventar novas versões de si. Bastava dar atenção às partes que a pressa deixava passar.
Na volta, caminharam algumas quadras de mãos dadas. Pararam em uma sorveteria aberta e escolheram sabores um para o outro. André errou o palpite. Luiza riu e dividiu o dela. A noite não precisava ser perfeita para merecer uma lembrança.
Antes de entrar em casa, ela devolveu o envelope. No verso, tinha escrito: “Aceita um segundo encontro?”. André disse que sim. Só depois perguntou quando. “Surpresa”, respondeu Luiza.
Uma boa história começa com uma conversa.
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