Romance gay · Entrelinhas

O último mergulho

A praia estava quase vazia quando um encontro inesperado mudou os planos de dois homens para aquela noite.

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Homem adulto com porte atlético e abdômen definido, usando bermuda de banho à beira-mar
Editorial Fervya2 min de leituraFicção original · Personagens adultos

Às seis da tarde, a praia começou a esvaziar. Vicente, 35 anos, estava dobrando a toalha quando ouviu alguém perguntar se o mar ainda valia a coragem. Levantou os olhos e reconheceu Caio, 38, com quem havia conversado no Fervya durante a semana. Na tela, o encontro ainda era uma possibilidade. Ali, era um homem sorrindo à sua frente.

Caio usava uma bermuda escura e carregava a camiseta no ombro. Parecia mais tranquilo do que Vicente se sentia. “Você sempre chega quando todo mundo está indo embora?”, perguntou Vicente. “Só quando acho que a melhor companhia ainda não foi.” A resposta veio com um sorriso pequeno, sem a segurança ensaiada das mensagens.

Vicente deixou a toalha na areia. “Está me convidando para o último mergulho ou para um primeiro encontro?” Caio pensou por um instante. “Podemos começar pelo mergulho. O resto você decide depois.” Entraram na água rindo do frio e saíram alguns minutos mais tarde, convencidos de que nenhum dos dois tinha sido tão corajoso assim.

Sentaram-se perto do calçadão e dividiram uma água de coco. Ao vivo, Caio fazia pausas antes de responder. Vicente gostou disso: havia espaço para pensar, para olhar o mar, para deixar uma pergunta sem resposta imediata. Falaram das cidades onde tinham vivido e do que esperavam encontrar naquele novo começo.

O sol já havia desaparecido quando Caio perguntou se ele queria caminhar. Vicente estendeu a mão em resposta. Durante alguns passos, nenhum dos dois tentou transformar o silêncio em conversa. Era bom descobrir que podiam estar à vontade antes mesmo de se conhecerem direito.

Na esquina do quiosque, Caio parou. “Posso te beijar?” Vicente respondeu que sim. O beijo foi breve, e os dois sorriram quando se afastaram. “Você tinha razão”, disse Vicente. “Sobre o quê?” “A melhor companhia ainda não tinha ido embora.”

Caio apontou para um café que continuava aberto do outro lado da rua. Vicente conferiu o horário apenas por hábito e guardou o telefone. Não havia compromisso esperando por ele. Atravessaram juntos, de mãos dadas, discutindo quem escolheria a mesa do segundo encontro — mesmo que o primeiro ainda não tivesse acabado.

Uma boa história começa com uma conversa.

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