Romance gay · Entrelinhas

O verão que a gente adiou

Uma viagem adiada, dois homens e um fim de semana à beira-mar para reencontrar a leveza de estar juntos.

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Dois homens adultos de mãos dadas em um passeio à beira-mar
Editorial Fervya2 min de leituraFicção original · Personagens adultos

A reserva estava no e-mail havia meses. Toda vez que Leonardo, 34 anos, falava na viagem, aparecia uma reunião, uma entrega ou um motivo sensato para deixar para depois. Naquela quinta-feira, Bruno, 37, colocou duas mochilas perto da porta. “Se a gente esperar a semana perfeita, vai passar o verão aqui.”

Leonardo olhou para as mochilas e depois para o namorado. Estavam juntos havia quatro anos, tempo suficiente para saber quando uma brincadeira escondia um pedido importante. Fechou o computador. “Você colocou o meu livro?” Bruno confirmou. “E o carregador?” “Também. Mas espero que você esqueça de usar.”

Chegaram à pousada pouco antes do almoço. Havia uma varanda estreita de frente para o mar e uma mesa que mal acomodava dois cafés. Leonardo tentou organizar os passeios, até Bruno pedir apenas uma coisa: naquela primeira tarde, nenhum dos dois precisaria escolher o que vinha depois.

Desceram para a praia e ficaram até a sombra do guarda-sol mudar de lugar. Conversaram sobre uma música antiga, sobre os amigos e sobre o primeiro encontro, do qual tinham versões diferentes. Bruno jurava que Leonardo chegara atrasado. Leonardo dizia que ele é que tinha aparecido cedo demais. Ainda discordavam quando entraram no mar.

Na volta, caminharam devagar pela areia. Bruno pegou a mão dele e perguntou se ainda havia alguma coisa que quisesse fazer pela primeira vez. A resposta surpreendeu os dois: “Aprender a dançar com você sem me preocupar em acertar”. Bruno prometeu pensar numa música fácil.

À noite, depois do jantar, encontraram espaço entre a mesa e a porta da varanda. O som vinha baixo do telefone. Erraram o começo, esbarraram na cadeira e riram tanto que precisaram tentar outra vez. Quando conseguiram acompanhar o ritmo, Leonardo se aproximou para beijá-lo. Por alguns instantes, a música deixou de importar.

No domingo, pediram mais dois cafés antes de arrumar as mochilas. A viagem não tinha resolvido todas as semanas difíceis que viriam, mas lhes dera uma lembrança que os dois queriam repetir. Bruno abriu o calendário. Leonardo tirou o telefone da mão dele por um momento. “Primeiro termina seu café. Ainda estamos aqui.”

Uma boa história começa com uma conversa.

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