A festa já estava na última sequência quando Marina, 32 anos, reconheceu a mulher de vestido escuro perto da pista. Era Helena, 35, com quem havia trocado mensagens durante a semana. Nenhuma das duas sabia que a outra estaria ali.
“Você também disse que ia ficar em casa?”, perguntou Marina. Helena riu antes de responder. “Mudei de ideia. Pelo visto, fiz bem.” Ficaram lado a lado por alguns instantes, observando os amigos dançarem sob pequenos reflexos prateados.
A conversa que tinha sido fácil na tela precisou de um novo começo. Falaram um pouco mais alto que o necessário, riram da dificuldade de se ouvir e acabaram encontrando uma mesa na varanda. Ali, com a música ao fundo, puderam finalmente terminar as frases.
Helena contou que estava aprendendo a deixar espaços vazios na agenda. Marina confessou que fazia listas até para os dias de descanso. “Então hoje vale como exercício”, disse Helena. “Nenhum plano para a próxima meia hora.” Marina levantou o copo, concordando.
Quando começou uma música que as duas conheciam, Helena estendeu a mão. “Quer dançar?” Marina aceitou. Não houve coreografia nem grande cena: apenas duas pessoas que aos poucos encontraram o mesmo ritmo. Um passo errado virou motivo para rirem juntas.
A música acabou, mas elas continuaram conversando. Descobriram uma livraria em comum, um filme sobre o qual discordavam e um café que nenhuma das duas conhecia. Foi Marina quem sugeriu: “Podemos resolver esse último assunto amanhã”.
Na despedida, combinaram o horário sem fingir desinteresse. Já no carro, Helena recebeu uma mensagem: “Só para registrar: foi uma ótima mudança de planos”. Respondeu antes de colocar o cinto: “Amanhã a gente improvisa de novo”.
Uma boa história começa com uma conversa.
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